Entrevista: 8 perguntas a Filipe Azevedo

O administrador da Lucios, que já factura 60% através da reabilitação urbana, traça o retrato do sector, do ponto de vista de um empresário.
Como empresário, como descreve a situação do mercado da reabilitação urbana?
Ainda há poucas oportunidades, embora já se note um aumento da dinâmica em relação aos últimos anos. Há uma sensibilização maior nos agentes acerca da necessidade de reabilitar o património que está em mau estado e de que esse será um caminho a seguir. Embora ainda seja pouco para tudo aquilo de que o país necessita.
O investimento tem origem mais do lado privado, ou pelo contrário, do lado do Estado?
Com uma ou duas excepções de sociedades de reabilitação urbana públicas – como o Porto ou Coimbra - , é essencialmente a iniciativa privada que mexe com o mercado.
A burocracia é um entrave para os investimentos?
Há algumas melhorias, embora quando a reabilitação é feita nos centros urbanos, especialmente em zonas históricas, ainda haja muitas questões burocráticas a resolver e muitos custos associados a esses processos.
Temos capacidades humanas, fora da construção, de qualidade para produzir um forte valor acrescentado no sector?
Existe alguma mão-de-obra qualificada mais antiga, que já está há vários anos no sector. O que se verifica também agora é que algumas empresas produtoras de materiais, arquitectos, etc., estão a preparar-se com uma formação adequada em reabilitação e, inclusive, a adequarem materiais para estes processos.
O sistema financeiro tem ajudado a financiar, de forma especial, este mercado?
Eu penso que nesta altura as dificuldades são transversais a todas as actividades. O que existe e que tem alguma implicação em termos de resultados é a isenção em termos fiscais – nomeadamente do IVA – e alguns fundos imobiliários que proporcionam algumas vantagens. Mas, ao nível da banca, não há nada em particular ao nível dos incentivos.
Conseguem encontrar alternativas?
Uma alternativa é o programa Jessica (130 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento), fundo dedicado à reabilitação urbana, que pode ter um papel importante no mercado pelo facto de ser o primeiro.
A Lucios irá continuar a apostar neste mercado?
A aposta é para continuar, já tem cerca de sete ou oito anos. Investimos muito neste sector e tivemos de adequar os técnicos e os meios a este paradigma. Agora vamos continuar e queremos ser uma referência na reabilitação.
Qual o peso da reabilitação urbana na facturação da Lucios?
Este ano será cerca de 60% do total de 54 milhões de euros.
Fonte: Sol
