Desmontado prédio para abrir rua em S. Bento

Edifício desaparece para criar ligação pedonal entre Praça de Almeida Garrett e o interior das Cardosas


Um prédio vai ser demolido no centro do Porto, junto à estação de S. Bento, para dar lugar a uma rua pedonal. É um edifício esguio, na Praça Almeida Garrett, que vai abaixo no âmbito da requalificação do quarteirão das Cardosas. A UNESCO teve que autorizar.
É a primeira vez que a Sociedade de reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo inclui a demolição total de um edifício consolidado numa das suas intervenções de requalificação. O prédio de seis andares no nº 19 da praça em frente à estação de S. Bento já começou a ser desmontado no interior. Segundo explicou ao JN o administrador daquela sociedade, Rui Quelhas, criar uma passagem aberta "era a única maneira de garantir a sustentabilidade da praça" interior das Cardosas.


Aumentar o carácter residencial do quarteirão, onde apenas vivem seis famílias, foi o principal objectivo da intervenção, realizada em parceria entre a SRU e privados - a construtora LUCIOS é quem está encarregue da obra e parte dela já tem dono: a SPEL comprou o parque de estacionamento subterrâneo de 600 lugares que está a ser construído no interior do quarteirão.
A nova rua vai permitir criar uma entrada pedonal ao ar livre na praça interior das Cardosas, praça essa que vai servir de cobertura ao parque e onde será instalada uma loja de turismo. O triângulo irregular das Cardosas terá ainda, na frente da Praça da Liberdade, um hotel de luxo - o Intercontinental, com abertura prevista para Janeiro de 2011 - e, nas demias frentes, cerca de 200 habitações, de T0 a T3.
Haverá quatro acessos ao miolo das Cardosas, três para automóveis e também para peões, mas só uma nova rua com início na Praça Alemida Garrett será descoberta. Está prevista outra passagem pedonal através da galeria do edifício Ponce de Leão, também naquela praça fronteira à estação de S. Bento. Haverá mais entradas pelo Largo dos Lóios e pela Rua de trindade Coelho.

UNESCO avaliou no local


Foi necessária autorização da UNESCO para a retirada do edifício, visto encontrar-se na área classificada como Património da Humanidade. Técnicos daquele organismo das Nações Unidas estiveram no Porto a avaliar no local, concordando com o facto do imóvel ser dispensável.
"Houve acordo, primeiro pelo desajustamento do edifício e também porque se considerou mais importante revitalizar a praça e garantir a sua sustentabilidade", explicou Rui Quelhas, salientando que "um tunel não é o mesmo que uma rua".


"Não se trata só de reabilitar em termos de construção, era preciso que aquele espaço ganhasse vida, criar uma abertura à praça que convidasse as pessoas a utilizá-la", referiu o director-geral da LUCIOS, Filipe Azevedo. Foi um processo "moroso e prolongado", relatou, que incluiu avaliações do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e da UNESCO. O desaparecimento do prédio será também lento.
"O desmonte será muito rigoroso e feito com muito cuidado porque é uma área muito sensível. Tem construções contíguas que serão reabilitadas", explicou Filipe Azevedo. A empresa prefere chamar-lhe desmonte porque "não haverá uma demolição rápida como estamos habituados a ver noutros casos".
Há pormenores que falta decidir, nomeadamente se essa nova rua será pretexto para abrir janelas laterais nos dois prédios que a ladeiam. Para Rui Quelhas, o pormenor é secundário, o fundamental é que a intervenção vai permitir "fazer cidade".

Pormenores
42 edifícios compõem o quarteirão das Cardosas, pertencentes a 70 proprietários. A SRU Porto Vivo demorou 4 anos a negociar com os donos dos imóveis.
200 apartamentos vão ser construídos nas Cardosas, com tipologias T0 a T3, sendo as casas maiores em número inferior. A ideia é criar condições para a instalação de famílias.

Cidade subterrânea avança
O parque de estacionamento das Cardosas e a Cidade Subterrânea, um mega espaço de aparcamento, vão aumentar o número de lugares para estacionar naquela zona do centro histórico. A Cidade Subterrânea vai criar 2300 lugares e o projecto de execução deverá ir a concurso em Setembro.


Fonte: Jornal de Notícias